Insights

Inteligência Artificial e a sua Inserção na Produção Musical

A transformação na música

February, 2026

Onde está a IA na música hoje em dia?

A inteligência artificial ganha cada vez mais destaque na ciência, cultura e artes, deixando um impacto significante na indústria musical. De ferramentas capazes de criar linhas de guitarra e vocais a orquestras geradas automaticamente, passando por artistas de IA com músicas, imagens e histórias criadas por IA, fica cada vez mais evidente que a IA está em plena expansão. Aplicativos como SUNO e UDIO, apesar de estarem envolvidos em processos judiciais, contam com financiadores que os ajudam a divulgar suas ferramentas por toda a internet, enquanto o Spotify e a Billboard legitimam artistas de IA, integrando-os à música humana e incluindo-os em playlists de "Trending". No entanto, o discurso público e académico parece mais dividido: enquanto alguns acolhem esses novos instrumentos, outros os criticam ou recorrem à justiça, gerando um debate talvez ainda mais feroz do que o surgimento do Napster e da pirataria musical online.

A mídia está a mudar para o melhor ou pior?

Além das disrupções imediatas na indústria, a música criada por IA transforma fundamentalmente a maneira como a música é ouvida e vista. De espetáculos ao vivo à autoria, do trabalho artístico à música ambiente em lojas, até a questões filosóficas. Se não conseguirmos distinguir a música tocada por humanos da música tocada por computadores, será que ainda é arte? Será que isso é algo bom? As ferramentas que auxiliam na criação musical estão tirando o reconhecimento dos músicos que estudam e praticam por anos?

A mídia está a mudar para o melhor ou pior? Como é que as pessoas reagem a esta mudança

A falta de dados empíricos, da percepção cultural e da compreensão crítica do que é o quê nesta era da IA, além de uma grande lacuna ética no que diz respeito ao impacto social e político, também são problemas importantes que podem comprometer a compreensão da tese se não forem bem pesquisados.

As pessoas sabem distinguir estas ferramentas?

A pesquisa atual sobre música gerada por IA pode ser dividida em três pilares metodológicos distintos. Estudos técnicos analisam algoritmos e dados usando métodos computacionais, ignorando o contexto cultural. Uma abordagem de mapeamento quantitativo oferece uma visão mais etnográfica e culturalmente fundamentada, porém carece de escalabilidade. Por fim, análises económicas examinam percentuais e impactos de mercado, mas ignoram completamente o contexto que envolve os media, encarando-a mais como uma mercadoria.

Conclusão:

Apesar de tudo isso, é impossível afirmar que a IA não será integrada em toda a sociedade, seja científica ou criativamente. Contudo, com a legislação necessária e considerando o custo de oportunidade, a inteligência artificial pode ser usada como uma ferramenta importante para auxiliar e aprimorar as nossas experiências diárias, e esse é o principal objetivo por qual devemos aspirar, e não mais divisão.

Nota

*Este insight integra uma iniciativa de curadoria e expressão que abre a nossa plataforma a criativos da indústria - dentro e fora da Bootic - que queiram contribuir com a sua perspetiva. Valorizamos pontos de vista diferentes e acreditamos que merecem ser partilhados. A publicação destes contributos não implica que a Bootic concorde com todas as opiniões apresentadas.*.

JB

Studying Multimedia, with a Specialization in Sound Design

Masters Student and Office Worker

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